“Construindo resistência e esperança” – Nota sobre a greve dos professores das Universidades Federais do Ceará

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Aquarela de autoria do Prof. Cláudio Rodrigues (UFC)

A Assembleia Geral dos Docentes das Universidades Federais do Ceará, realizada no dia 18 de novembro, decidiu pela deflagração de greve por tempo determinado, até dia 13/12, data em que está prevista no Senado Federal a votação final da PEC 55.

A assembleia anterior já havia aprovado o apoio à greve dos estudantes, deflagrada em 03/11, e às ocupações. Com os dois outros segmentos universitários em greve, estudantes e servidores técnico-administrativos, os professores agora reforçam o movimento contra as medidas antissociais do governo ilegítimo de Michel Temer.

Nacionalmente, vinte e sete universidades federais entram em greve esta semana. Mais de setenta estão ocupadas. O movimento de rejeição à PEC 55 e o sentimento de urgência crescem a cada dia nas universidades e na sociedade em geral. Continuar lendo

De lutas e esperanças

Temos vivido, nos últimos meses, rápidos e sucessivos ataques aos direitos conquistados ao longo do século XX. À proporção que tomamos conhecimento do teor das medidas do governo ilegítimo, acolhidas vergonhosamente pelo Congresso Nacional e o STF, nos convencemos da necessidade de intervirmos — de maneira coletiva e organizada — em decisões que afetarão nossas vidas por 20 anos. A Assembleia Geral do dia 11/10 aprovou o plebiscito sobre greve com um grande sentimento de urgência, deliberando também pela realização de reuniões setoriais nos vários campi, antes da votação.

A Diretoria da ADUFC não encaminhou as reuniões setoriais com os docentes, assim como também não se pronunciou sobre o ataque do STF ao nosso direito de greve, a poucos dias do plebiscito. Preparou a votação em completo silêncio e a realizou em meio a denúncias de irregularidades. Na assembleia de homologação (04/11), levou uma boa parte dos colegas a pensar que a não homologação do plebiscito significaria automaticamente deflagração da greve. Continuar lendo

ASSEMBLEIA DOS DOCENTES DA UFC NO DIA DE PARALISAÇÃO NACIONAL

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Na manhã de ontem (22 de setembro), dia de Paralisação Nacional, os jardins e o auditório da reitoria da UFC receberam, respectivamente, servidores técnico-administrativos e professores.

Num auditório completamente lotado de professores e alunos, vários colegas se pronunciaram a respeito da necessidade de permanente mobilização frente aos retrocessos impostos pelo governo ilegítimo porque golpista. Algumas falas apontaram isso com mais ênfase. Continue lendo

RELATO DA ASSEMBLEIA GERAL DA ADUFC EM 14/09 E CHAMADA PARA A LUTA

Ontem pela manhã tivemos Assembleia Geral da ADUFC no auditório do Centro de Ciências do Pici. Foi apresentado o abaixo-assinado dos docentes na discussão da pauta e foram incluídos os pontos da análise de conjuntura e encaminhamentos. Fizemos uma boa discussão sobre o momento político atual, os retrocessos do golpe, a legislação que retira direitos, a portaria 3131, a atuação desmobilizadora da atual diretoria do sindicato e a importância da unidade da categoria na luta. Continue lendo

Sem comissão eleitoral, diretoria da ADUFC-Sindicato mantém eleição para o Conselho

Mesmo com a autodissolução da comissão eleitoral, depois da renúncia de dois de seus membros, a diretoria da ADUFC-Sindicato pretende realizar eleições para as vagas remanescentes do Conselho de Representantes, biênio 2015-2017.

A diretoria exigiu o indeferimento das inscrições de duas chapas, o que os renunciantes, Profa. Irenísia Oliveira e Prof. Valdemarin Coelho, entenderam ser uma interferência inaceitável da diretoria no processo eleitoral.

No passo-a-passo dos procedimentos – deferimento das chapas pela comissão, supressão das chapas pela diretoria, renúncia da comissão e, agora, realização das eleições -, desde o dia 23, a diretoria ameaçou os membros da comissão com um processo administrativo.

Sem comissão eleitoral formada, as ações listadas nos artigos 1º e 9º do regulamento eleitoral não poderiam ser realizadas. Assim mesmo, a diretoria da ADUFC divulgou em seu site os horários e locais em que as urnas estarão disponíveis.

Na prática, a Diretoria da ADUFC transformou a si mesma em órgão deliberativo máximo da entidade. Não convoca reuniões do Conselho (a última foi autoconvocada) nem Assembleias Gerais, sequer para consultar os filiados sobre aquisições vultosas de imóveis. Quando quis impor sua vontade agora nas eleições, não respeitou o Conselho (que elegeu a comissão eleitoral) nem se dignou a submeter seus pontos de vista à Assembleia Geral. Como os retrocessos atualmente não param, na ADUFC já se chegou ao século XVII: “Le syndicat, c’est moi”.

Eleições para o Conselho de Representantes da ADUFC-Sindicato

RENÚNCIA E DISSOLUÇÃO DA COMISSÃO ELEITORAL

Dois membros da Comissão Eleitoral responsável pelas eleições para as vagas remanescentes do Conselho de Representantes da ADUFC-Sindicato (Biênio 2015-2017), Profa. Irenísia Oliveira e Prof. Valdemarin Coelho, apresentaram carta de renúncia esta manhã à Diretoria da ADUFC-Sindicato. A carta é também resposta a um ofício em que a Diretoria exige o indeferimento de duas chapas inscritas e ameaça os membros da Comissão com processo administrativo. Como motivo principal da renúncia, os professores relatam que a Diretoria da entidade fez interferências inaceitáveis no processo eleitoral, procedeu de maneira hostil e retirou totalmente a autonomia da comissão eleita pelo Conselho de Representantes. Com a dupla renúncia, a Comissão perde as condições de funcionamento, uma vez que tem apenas um suplente, e o Conselho de Representantes precisa ser convocado para reencaminhar as eleições.

Leia aqui, na íntegra, a carta de renúncia dos dois representantes.

O retorno do reprimido: questão sindical

Prof. Mário Martins – História (UFC)

Nas minhas aventuras sobre a psicanálise, aprendi com o historiador-psicanalista Peter Gay que o recalque era peça fundamental na formação do inconsciente e que tendia a se manifestar em situações inusitadas, imprevistas. Ele explica que o que foi reprimido pode voltar, por exemplo, tal como voltam os subversivos na calada da noite de um regime ditatorial tentando romper as barreiras do controle com os seus coquetéis molotov.

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