CARTA ABERTA À COMUNIDADE CEARENSE

A universidade que tem medo de confetes

O golpe antipopular, antidemocrático e antinacional efetivado no país começa a incidir nos mais variados espaços institucionais, em um flagrante ataque aos direitos, aos fundos públicos e aos serviços sociais previstos na Constituição de 88. No âmbito das universidades públicas, mais particularmente da UFC, já podemos verificar a repercussão de seus efeitos nos diferentes eixos e atividades de atuação junto à sociedade. Um ataque que se inicia paulatinamente, mas aprofunda-se, numa clara intenção de desmonte, quando não de privatização, inclusive do funcionamento de suas estruturas físicas. O alegado argumento, utilizado pela Administração Superior da UFC desde 2015, quando da greve dos professores (“Resposta da UFC à pauta de reinvindicação dos docentes”, 14/09/15), acerca da presumida necessidade de tomar medidas que viabilizassem o equilíbrio das contas da universidade contrasta com o aparente quadro em que se encontra nossa instituição, segundo as notícias veiculadas pelo portal da UFC. Destacamos quatro delas: Continue lendo

NOTA EM DEFESA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA E CONTRA OS RETROCESSOS

O objetivo desta nota é denunciar os graves ataques à educação pública, orquestrados por um governo ilegítimo e sem compromisso com o programa de governo escolhido em 2014, e convidar os/as colegas da UFC a participarem do Ato em Defesa da Educação Pública e Gratuita, no dia 11 de agosto, Centro de Humanidades da UECE, a partir das 15h.
Vivemos um tempo atravessado por retrocessos políticos, econômicos e sociais, que ameaçam até a conquista de um patamar civilizatório mínimo em nosso país. Todas as políticas públicas e instituições que promovem a distribuição de renda no Brasil estão sendo atacadas. Cortes de investimentos sociais, projetos de lei e emendas em tramitação no Congresso Nacional atacam os direitos dos trabalhadores, a previdência social, os serviços públicos e políticas afirmativas. Continue lendo

Sem comissão eleitoral, diretoria da ADUFC-Sindicato mantém eleição para o Conselho

Mesmo com a autodissolução da comissão eleitoral, depois da renúncia de dois de seus membros, a diretoria da ADUFC-Sindicato pretende realizar eleições para as vagas remanescentes do Conselho de Representantes, biênio 2015-2017.

A diretoria exigiu o indeferimento das inscrições de duas chapas, o que os renunciantes, Profa. Irenísia Oliveira e Prof. Valdemarin Coelho, entenderam ser uma interferência inaceitável da diretoria no processo eleitoral.

No passo-a-passo dos procedimentos – deferimento das chapas pela comissão, supressão das chapas pela diretoria, renúncia da comissão e, agora, realização das eleições -, desde o dia 23, a diretoria ameaçou os membros da comissão com um processo administrativo.

Sem comissão eleitoral formada, as ações listadas nos artigos 1º e 9º do regulamento eleitoral não poderiam ser realizadas. Assim mesmo, a diretoria da ADUFC divulgou em seu site os horários e locais em que as urnas estarão disponíveis.

Na prática, a Diretoria da ADUFC transformou a si mesma em órgão deliberativo máximo da entidade. Não convoca reuniões do Conselho (a última foi autoconvocada) nem Assembleias Gerais, sequer para consultar os filiados sobre aquisições vultosas de imóveis. Quando quis impor sua vontade agora nas eleições, não respeitou o Conselho (que elegeu a comissão eleitoral) nem se dignou a submeter seus pontos de vista à Assembleia Geral. Como os retrocessos atualmente não param, na ADUFC já se chegou ao século XVII: “Le syndicat, c’est moi”.

Nota dos Professores da UFC pela Democracia, por Direitos Sociais e Contra o Golpe

coletivo faixa

Estamos vivendo um momento extremamente grave de atentados sistemáticos à democracia, com regressão de direitos e liberdades duramente conquistados.

Uma articulação orgânica dos diferentes setores dominantes, vinculados ao capital, orquestra um abominável desenho estratégico para a defesa de seus interesses, às custas da democracia e das instituições. Aproveitando as dificuldades da crise econômica e atuando para gerar instabilidade política, tais setores trabalham incessantemente para derrubar o governo Dilma.

Vemos a cada dia crescer o ódio social, com expressões de intolerância fascista, incitado e alimentado pela grande mídia, que manipula explicitamente informações para atingir seus objetivos golpistas. Assistimos, de forma explícita e reiterada, à partidarização de segmentos do Judiciário, que usam a espetacularização de ações investigativas como arma política, sem compromisso com os princípios republicanos, previstos na Constituição de 1988.

Segmentos das classes médias urbanas defendem nas ruas os seus privilégios, bradando sua indignação contra quaisquer formas, mesmo parciais, de inclusão social. O autoritarismo e as múltiplas formas de violência da sociedade brasileira expressam-se sem reservas.

É fundamental compreender, com lucidez, a natureza do golpe em curso neste confronto de forças. Trata-se de um golpe jurídico-midiático-empresarial, a manifestar-se em frentes estratégicas, comprometendo o processo de decisões democráticas e a garantia de conquistas muito caras à sociedade. Continue lendo