Cartas a um amigo alemão, de Albert Camus – Primeira Carta

Título original: Lettres à un ami allemand

Nota do editor:

A primeira dessas cartas apareceu no n. 2 da Revue Libre, em 1943; a segunda no n. 3 dos Cahiers de Libération, no começo de 1944. As duas outras, escritas para a Revue Libre, permaneceram inéditas até a Liberação. A terceira foi publicada, no começo de 1945, pelo hebdomadário Libertés.
Do prefácio à edição italiana:

Sobre as cartas: “Elas foram escritas e publicadas na clandestinidade. Elas tinham o objetivo de esclarecer um pouco o combate cego em que nós estávamos e daí tornar mais eficaz esse combate. Esses são escritos de circunstância e que podem portanto ter um ar de injustiça. Com efeito, se se escrevesse sobre a Alemanha vencida, seria necessário uma linguagem um pouco diferente. Mas eu gostaria apenas de evitar um mal-entendido. Onde o autor dessas cartas diz ‘vocês’, ele não quer dizer ‘vocês, alemães’, mas ‘vocês, nazistas’. Quando ele diz ‘nós’, isso não significa sempre ‘nós, franceses’, mas “nós, europeus livres”. São duas atitudes que eu oponho, não duas nações, mesmo se, a um momento da história, essas duas nações puderam encarnar duas atitudes inimigas. Para usar uma frase que não me pertence, eu amo demais o meu país para ser nacionalista.” (p. 16)
“Eu não detesto senão os carrascos. Todo leitor que desejar ler as Cartas a um amigo alemão nessa perspectiva, quer dizer, como um documento da luta contra a violência, admitirá que eu possa dizer hoje que não lhes renego uma só palavra.” (p. 17)
Primeira carta

Você me disse: “A grandeza de meu país não tem preço. Tudo que a realize é bom. E em um mundo onde nada mais tem sentido, aqueles que, como nós, jovens alemães, têm a chance de encontrar um sentido no destino de sua nação, devem tudo sacrificar-lhe.” Eu o estimava então, mas foi aí que me separei de você. “Não, eu lhe disse, não posso crer que seja preciso subordinar tudo a um objetivo. Existem meios que não se justificam. E eu gostaria de poder amar meu país amando também inteiramente a justiça. Eu não quero para ele uma grandeza, se esta for a do sangue e a da mentira. É mantendo viva a justiça que eu o quero vivo”. Você me disse: “Então você não ama seu país”.

Faz cinco anos desde então. Nós estamos separados desde esse tempo e posso dizer que não houve um dia desses longos anos (tão breves, tão fulgurantes para você!), em que eu não tenha lembrado a sua frase. “Você não ama seu país!”. Quando penso hoje nessas palavras, sinto um aperto na garganta. Não, eu não o amo, se é não amar denunciar aquilo que não é justo no que amamos, se é não amar exigir que o ser amado se iguale à mais bela imagem que temos dele. Faz cinco anos desde então, muitos homens pensavam como eu na França. Alguns entre eles, no entanto, já se encontraram contra a parede diante dos doze pequenos olhos pretos do destino alemão. E esses homens que, segundo você, não amavam seu país, fizeram mais por ele do que você jamais faria pelo seu, mesmo se você pudesse dar sua vida por ele cem vezes. Porque eles tiveram de vencer a si mesmos antes e esse é seu heroísmo. Mas eu falo aqui de dois tipos de grandeza e de uma contradição sobre a qual eu preciso lhe esclarecer.

Nós nos reveremos em breve, se isso for possível. Mas então nossa amizade estará terminada. Você estará tomado pela derrota e não terá vergonha de sua antiga vitória, lamentando-se por ela e não por todas as forças esmagadas. Hoje ainda estou perto de você em espírito – seu inimigo, é verdade, mas ainda um pouco seu amigo, pois exponho a você aqui todo o meu pensamento. Amanhã, estará terminado. O que sua vitória não pôde deslanchar, sua derrota cumprirá. Mas, pelo menos, antes de nos tornamos indiferentes um ao outro, eu gostaria de lhe deixar uma ideia clara do que nem a paz, nem a guerra lhe ensinaram a conhecer no destino de meu país.

Eu quero lhe dizer muito rapidamente que tipo de grandeza nos coloca em movimento. Quer dizer, qual a coragem que nós aplaudimos e que não é a sua. Pois não é grande coisa saber correr para o fogo quando alguém se prepara desde sempre para isso e quando a corrida lhe é mais natural que o pensamento. Mas é muita coisa, ao contrário, avançar para a tortura e a morte quando se sabe, em plena consciência, que o ódio e a violência são coisas vãs por si mesmas. É muita coisa bater-se na guerra, desprezando a guerra; aceitar perder tudo, ainda tendo gosto pela felicidade; correr para a destruição, acalentando a ideia de uma civilização superior. É nisso que nós fazemos mais que vocês, porque nós temos de dominar a nós mesmos. Vocês não tiveram nada que vencer em seu coração, nem em sua inteligência. Nós tínhamos dois inimigos e triunfar pelas armas não nos bastava, como a vocês que nada tinham a considerar.

Nós tínhamos muito a superar e talvez, para começar, a tentação perpétua de nos parecermos com vocês. Pois existe sempre em nós algo que se deixa levar pelo instinto, pelo menosprezo da inteligência, pelo culto da eficácia. Nossas grandes virtudes terminam por nos abandonar. A inteligência nos envergonha e nós imaginamos às vezes alguma barbárie feliz, onde encontraríamos a verdade sem esforço. Mas nesse ponto a cura é fácil: vocês estão lá para nos mostrar o que seria esse mundo imaginado e nós nos redirecionamos. Se eu acreditasse em algum fatalismo da história, eu suporia que vocês se mantém ao nosso lado, escravos da inteligência, para nos corrigir. Nós renascemos então no espírito e nele estamos mais à vontade.

Mas nós precisávamos ainda vencer a suspeita que tínhamos do heroísmo. Eu sei, vocês nos creem estranhos ao heroísmo. Vocês se enganam. Simplesmente nós o professamos e dele desconfiamos, ao mesmo tempo. Nós o professamos porque dez séculos de história nos deram o conhecimento de tudo o que é nobre. E desconfiamos dele porque dez séculos de inteligência nos ensinaram a arte e os benefícios do natural. Para nos apresentarmos diante de vocês, tivemos de vir de longe. Isso o motivo pelo qual estamos atrasados em relação a toda a Europa, precipitada na mentira desde que foi preciso, enquanto nós ainda nos metíamos a procurar a verdade. Eis porque começamos pela derrota, preocupados que estávamos, enquanto vocês se lançavam sobre nós, em definir em nossos corações se o bom direito estava por nós.

Nós tivemos de vencer nosso amor pelo ser humano, a imagem que nos fizemos de um destino pacífico, essa convicção profunda em que nós estávamos de que nenhuma vitória compensa, quando toda mutilação do ser humano é sem volta. Foi-nos preciso renunciar de uma só vez à nossa ciência e à nossa esperança; às razões que tínhamos para amar e ao ódio que tínhamos a toda guerra. Para lhe dizer em uma palavra, que eu suponho que você compreenderá, vindo de mim a quem você gostava de apertar a mão, nós tivemos de silenciar nossa paixão pela amizade.

Agora está feito. Foi-nos preciso um longo desvio, nós estamos muito atrasados. É o desvio que o escrúpulo da verdade impôs à inteligência; o escrúpulo da amizade, ao coração. É o desvio que salvaguardou a justiça, que colocou a verdade ao lado daqueles que se interrogavam. E sem dúvida nós pagamos muito caro por ele. Pagamos por ele em humilhações e em silêncios, em amarguras, em prisões, em execuções pela madrugada, em deserções, em separações, em fomes cotidianas, em crianças descarnadas e, mais que tudo, em privações forçadas. Mas isso estava na ordem das coisas. Foi-nos preciso todo esse tempo para vermos se tínhamos o direito de matar homens, se nos era permitido aumentar a atroz miséria deste mundo. E é esse tempo perdido e reencontrado, essa derrota aceita e superada, esses escrúpulos pagos com sangue, que nos dão o direito, a nós franceses, de pensar hoje que nós entramos nessa guerra com mãos puras – da pureza das vitimas e dos convencidos – e que nós sairemos dela com mãos puras – mas da pureza, desta vez, de uma grande vitória ganha contra a injustiça e contra nós mesmos.

Pois nós seremos vencedores, não duvide disso. Mas nós seremos vencedores graças a essa derrota mesma, a esse longo caminho que nos fez encontrar nossas razões; a esse sofrimento cuja injustiça nós sentimos e do qual tiramos a lição. Nós aprendemos aí o segredo de toda vitória e se nós não o perdermos, nós conheceremos a vitória definitiva. Nós aprendemos que, contrariamente ao que pensávamos às vezes, o espírito nada pode contra a espada, mas que o espírito unido à espada é o vencedor eterno da espada atirada por ela mesma. Eis porque nós aceitamos agora a espada, depois de termos nos assegurado que o espírito estava conosco. Foi-nos preciso para isso ver morrer e arriscar morrer; foi-nos preciso um trabalhador francês marchando para a guilhotina de madrugada e, nos corredores da prisão, de porta em porta, exortando seus camaradas a mostrar sua coragem. Foi-nos preciso, enfim, para preparar nosso espírito, a tortura de nossa carne. Só se possui bem aquilo pelo qual se pagou. Nós pagamos caro e pagaremos ainda. Mas nós temos nossas certezas, nossas razões, nossa justiça: a derrota de vocês é inevitável.

Eu jamais acreditei no poder da verdade por ela mesma. Mas já é muito saber que, com igualdade de forças, a verdade prevalece sobre a mentira. É esse difícil equilíbrio que nós estamos alcançando. É apoiados nessa nuance que nós combatemos. E fico tentado a dizer-lhe que nós lutamos justamente por nuances, mas nuances que têm a importância do homem mesmo. Nós lutamos por essa nuance que separa o sacrifício da mística, a energia da violência, a força da crueldade, por essa ainda mais frágil nuance que separa o falso do verdadeiro e o ser humano que almejamos dos deuses covardes que vocês reverenciam.

Eis o que eu queria dizer-lhe, não para além da luta, mas dentro da luta mesma. Eis o que eu queria responder a esse “você não ama seu país”, que me persegue ainda. Mas eu quero ser claro com você. Eu acredito que a França perdeu seu poder e seu domínio e que lhe será preciso, por um longo tempo, uma paciência desesperada, uma revolta cuidadosa, para reencontrar a parte de prestígio necessária a toda cultura. Mas eu acredito que ela perdeu tudo isso por razões puras. E é por isso que a esperança não me abandona. Esse é todo o sentido de minha carta. Esse homem que você acusou, faz cinco anos, de ser reticente a respeito de seu país, é o mesmo que quer lhe dizer hoje, a você e a todos os de nossa idade na Europa e no mundo: “Eu pertenço a uma nação admirável e perseverante que, para além de sua cota de erros e fraquezas, não se deixou perder da ideia que faz toda a sua grandeza e que seu povo sempre, suas elites às vezes, procuram incessantemente formular cada vez melhor. Eu pertenço a uma nação que desde quatro anos recomeçou o percurso de toda sua história e que, em meio a escombros, prepara-se tranquilamente, seguramente, para refazer uma outra história e a tentar sua sorte num jogo onde ela entra sem trunfos. Esse país quer que eu o ame com o amor difícil e exigente que é o meu. E eu creio que ele quer agora que se lute por ele porque ele é digno de um amor superior. E eu digo que, ao contrário, sua nação não tem tido de seus filhos a não ser o amor que ela mereceu, um amor cego. Não é qualquer amor que justifica. É isso que perde vocês. E vocês que já estão vencidos nas suas maiores vitórias, como será na derrota que avança?

Julho 1943.

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Traduzido da edição: CAMUS, Albert. Lettres à un ami allemand. Paris: Éditions Gallimard, 1948, renouvelé 1972. Collection Folio.

Tradução: Irenísia Oliveira

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PROFESSORES NOTIFICAM PRESIDENTE DA ADUFC SOLICITANDO VISTA DE DOCUMENTOS FINANCEIROS DA ENTIDADE

Um grupo de dez professores filiados à ADUFC-Sindicato, dentre eles três ex-presidentes da entidade, apresentaram no final de 2018 Notificação Extrajudicial ao Presidente da ADUFC, prof. Ênio Pontes de Deus, requerendo a vista de documentos financeiros do sindicato, no período de junho de 2015 até a data atual.

A notificação foi motivada pela falta da prestação de contas, de acordo com o que estabelece o Estatuto, pelas duas últimas diretorias da entidade. Em maio de 2015, a ADUFC possuía um saldo de mais de cinco milhões de reais, com uma arrecadação mensal em torno de duzentos e cinquenta mil reais. Vultosas aquisições de terrenos e reformas foram feitas no período de 2015-2017, sem consulta aos filiados e sem qualquer prestação de contas. Os filiados até hoje não sabem quanto custaram os dois terrenos comprados em Fortaleza e as reformas nas sedes de Fortaleza e do Cariri.

De 2017 para cá, gastos elevados também têm sido feitos, mas com outro perfil. Agora são altos investimentos em comunicação para promoção pessoal do presidente da ADUFC, despesas com frequentes convites a burocratas do PROIFES (federação com a qual a ADUFC não tem mais vínculo legal desde 2014), eventos com a participação significativa de quadros do partido político a que são filiados membros da diretoria e uma pequena fortuna despendida em passagens e diárias para o atual presidente da ADUFC. Esses são apenas os gastos que podem ser depreendidos de uma análise crítica dos informativos do sindicato, sem contar os eventos do PROIFES realizados na ADUFC, talvez recebendo financiamento da entidade. Ressalte-se que nenhum desses gastos foi apresentado ou aprovado em qualquer instância deliberativa da ADUFC. E, para agravar, não se tem a prestação de contas.

O resultado é que temos agora essa espécie de sindicato restrito à cúpula, convertido em birô de serviços, que não realiza assembleias, não mobiliza a categoria e trata de afastar qualquer ideia de construção coletiva. E que também se compraz em espalhar fake news, como a de que o ministro do STF, Ricardo Lewandowski, tomou a decisão de manter o reajuste dos servidores públicos federais devido a uma articulação entre ADUFC e PROIFES. Neste momento de ataques aos professores e à universidade pública, esse tipo de sindicalismo enfraquece e sabota nossas lutas sindicais, sociais e democráticas e se constitui, na prática, como um antissindicalismo. A força do sindicato é a força de mobilização, luta e articulação de sua categoria, no quadro das lutas gerais da sociedade. É tudo o que não temos hoje na ADUFC.

Ao apresentar a notificação, solicitando vista dos documentos financeiros da entidade no período de junho de 2015 até agora, os professores filiados se baseiam no Estatuto da ADUFC, segundo o qual é seu direito “Fiscalizar o funcionamento do sindicato e sobre ele manifestar-se” (Art. 6, alínea IV) e seu dever: “Zelar pelo patrimônio, serviços e imagem do Sindicato, cuidando de sua correta aplicação e utilização” (Art. 7, alínea IV).

Entre os documentos solicitados para vista dos notificantes, estão os extratos bancários da ADUFC no período, escrituras públicas, projetos de reformas, comprovantes de pagamentos de assessoria e consultoria, extratos de eventuais cartões corporativos e outros documentos fiscais. A notificação foi entregue no dia 21/12/18 e até o momento os notificantes não receberam qualquer comunicação por parte do notificado, o prof. Ênio Pontes de Deus, presidente da ADUFC-Sindicato, sobre o atendimento à solicitação dos filiados.

O texto completo da Notificação Extrajudicial pode ser acessado no link abaixo:

notificacao extrajudicial

Nota de apoio ao MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra

O Coletivo Graúna de Professores da UFC e da UFCA por uma Educação Democrática vem, por meio desta, prestar apoio ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, na sua imprescindível luta pela reforma agrária e por uma agricultura camponesa e agroecológica, que respeite a natureza e os seres humanos.

Temos acompanhado com preocupação as muitas ordens judiciais de despejo das ocupações do MST, ordens judiciais que simplesmente jogam as famílias de trabalhadores rurais ao relento e golpeiam o princípio da função social da terra, garantido pela Constituição de 1988. Neste mês de dezembro, recebemos com horror a notícia do brutal assassinato de Rodrigo Celestino e Orlando, coordenadores do acampamento Dom José Maria Pires, na cidade de Alhandra, na Paraíba. No dia seguinte aos assassinatos, Bolsonaro anunciou como ministro do meio ambiente Ricardo Salles, cuja campanha a deputado federal, felizmente mal sucedida, incitava abertamente à violência contra os Sem Terra. Diante do jaguncismo, a mensagem do futuro governo foi de consentimento e estímulo à violência.

A luta do MST contra a injustiça e a barbárie no campo começou em plena ditadura militar. Em condições adversas, o movimento cresceu e se consolidou, assumindo um importante papel nas lutas democráticas. Aprendemos a admirar no MST a enorme capacidade de organização e resiliência, que tem servido de inspiração também a outros movimentos populares. É com orgulho militante que declaramos nossa solidariedade a tão valorosos companheiros e a tão valorosas companheiras.

A solidariedade é a nossa arma. Havemos de resistir. Com inteligência estratégica, garra e coragem, havemos de vencer o fascismo e seu triste entorno de rapinagem neoliberal, fanatismo e charlatanice. Lutaremos e venceremos juntos! A luta pela terra e a luta pela educação pública andam de mãos dadas. Professores, estudantes e trabalhadores rurais sem terra, sigamos juntos!

Viva o MST!

Viva a reforma agrária popular!

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Coletivo Graúna – Professores por uma Educação Democrática

NOTA DE SOLIDARIEDADE AO REITOR HENRY DE HOLANDA CAMPOS NA DEFESA DA UNIVERSIDADE PÚBLICA E GRATUITA

O Coletivo Graúna de Professores por uma Educação Democrática vem, por meio desta nota, manifestar solidariedade ao Reitor da UFC, professor Henry de Holanda Campos, tendo em vista os ataques que vem sofrendo por tomar posição na defesa do caráter público e gratuito das universidades federais.

Entendemos que a defesa da Universidade Pública, da maneira como a Constituição hoje a concebe, é parte dos deveres institucionais do Reitor, não cabendo nesse âmbito qualquer cobrança de neutralidade. Antes de tudo, o Reitor está obrigado à Constituição e à Instituição. Aqueles que apoiam o desmonte do caráter público e gratuito da universidade e que transigem com o obscurantismo, a censura e o cerceamento da liberdade de cátedra não podem, sob o pretexto de pluralismo, impedir o Reitor de cumprir uma missão inerente à sua função pública. Da mesma forma, não será porque um grupo na universidade despreza os direitos humanos que o Reitor estará impedido de defender esses direitos em seus pronunciamentos. A dignidade de seu cargo, a lealdade à Constituição e uma ética anterior a qualquer espírito de corpo o obrigam à defesa dos valores humanos e civilizatórios, inclusive porque esses valores estão no cerne da própria ideia de universidade.

Aproveitamos ainda para reafirmar nossa concepção de uma universidade pública que tem deveres para com as necessidades coletivas da sociedade e não com demandas mercadológicas. Compreendemos que o papel da universidade pública é produzir conhecimento socialmente relevante, inclusive para impedir as grandes corporações de colocarem seus lucros acima da saúde das pessoas e do bem estar geral da sociedade. Se as universidades públicas passarem a produzir conhecimento sob demanda de grandes empresas, a atrelar sua produção de conhecimento ao lucro privado e a seus ritmos, pagará o preço de perder a credibilidade de que hoje desfruta e sua própria razão de ser.

Enquanto nos solidarizamos com o Reitor da UFC, professor Henry de Holanda Campos, ao tomar posição pela preservação do caráter público e gratuito da universidade, afirmamos mais uma vez nosso compromisso com os princípios da educação pública, o processo de democratização da universidade, os valores democráticos e o respeito aos direitos humanos no Brasil.
Fortaleza, 06 de novembro de 2018
Coletivo Graúna – Professores por uma Educação Democrática

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MANIFESTO DE PROFESSORES POR UMA EDUCAÇÃO DEMOCRÁTICA E EM REPÚDIO À CENSURA À LIVRE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO

O Coletivo Graúna de Professores da UFC Por uma Educação Democrática e os demais Professores abaixo assinados vêm a público manifestar seu repúdio às recentes investidas da Justiça Eleitoral contra a autonomia universitária, a liberdade de cátedra e a livre manifestação do pensamento, consumadas por meio de determinações, muitas delas verbais e sem ordem judicial formal, para a retirada de faixas nos prédios públicos e recolhimento de material impresso em mais de 20 (vinte) instituições, entre sindicatos, institutos e universidades federais, contendo mensagens de defesa da democracia e de rejeição à escalada da violência e do fascismo na sociedade brasileira.

Até onde se sabe, nenhum dos materiais e faixas apreendidos continha publicidade eleitoral a favor de determinado candidato à Presidência da República, não sendo, portanto, situações a legitimar a configuração do art. 24 da Lei 9.504/1997, que estabelece a proibição de publicidade eleitoral em órgãos e pessoas integrantes da administração pública.

O conteúdo dos materiais, bem como das manifestações de estudantes e professores que têm ocorrido na mais salutar e republicana naturalidade do ambiente plural universitário, são todos no sentido de defesa dos princípios e valores fundamentais da Constituição Federal. Mais do que isso: são iniciativas de defesa de conquistas civilizatórias que deveriam ser partilhadas, aliás, por toda a sociedade brasileira.

A livre manifestação do pensamento é uma conquista liberal e fundamental, não podendo ser tolhida por instituições quando a sua expressão eventualmente contrariar as opções ideológicas ou político-partidárias de seus dirigentes e membros. Isso configura censura, que não será tolerada pela comunidade acadêmica e universitária.

Muito causa espanto que bandeiras como a defesa da democracia ou o repúdio e o combate à violência e à intolerância, ao fascismo, ao racismo e à misoginia, todas com respaldo constitucional e supraconstitucional, sem alusão a candidatos determinados, sejam consideradas por órgãos da Justiça como propaganda eleitoral. A censura protagonizada por tais órgãos talvez esconda uma inconveniente verdade: que tais órgãos associem tais bandeiras (ou a sua negativa) a candidatos determinados, de modo a antever prejuízos nos resultados eleitorais.

A liberdade de cátedra e a livre manifestação do pensamento nos ambientes universitários e escolares só foi objeto de controle e criminalização nos períodos obscuros da história política, como no macartismo e nas ditaduras civis-militares na América latina. Tais épocas legaram a lição de que o controle dos ambientes escolares e universitários, porque ambientes plurais e abertos ao pensamento crítico, capazes de emancipar gerações de seres humanos, é tática vital para a instalação de uma nova ordem, em que o autoritarismo e a violência subverteram a racionalidade democrática.

Nós aprendemos com a história, contudo, e por isso não vamos nos calar.

 

Abu-El-Haj Jawdat – Ciências Sociais/CH/UFC

Adelaide Maria Gonçalves Pereira – História/CH/UFC

Adeliani Almeida Campos – Aposentada – Odontologia Restauradora/FFOE/UFC

Adriana Leite Limaverde Gomes – Teoria e Prática de Ensino/FACED/UFC

Aécio Alves de Oliveira – Economia Ecológica/UFC

Agamenon Almeida Tavares – Aposentado/Teoria Econômica/FEAAC/UFC

Alba Maria Pinho de Carvalho – Ciências Sociais/CH/UFC

Alberto Fernandes de Farias Neto – Direito/UNIFOR

Alessandra Silva Xavier – Psicologia/UECE

Ana Amélia de Moura Cavalcante de Melo – História/CH/UFC

Ana Karine Macedo Teixeira – Clínica Odontológica/FFOE/UFC

Analuiza Mendes Pinto Nogueira – Psicologia/CH/UFC

Ana Maria Monte Coelho Frota – PPG Educação/UFC

Ana Maria Oliveira Soares – Casa de Cultura Italiana/CH/UFC

Ana Paula Moreno Pinho – Administração/FEAAC/UFC

Ângela de Alencar Araripe Pinheiro – Aposentada/Psicologia/CH/UFC e Mov. Cada Vida Importa

Ângelo Roncalli Alencar Brayner – Ciência da Computação/CC/UFC

Anna Lúcia dos Santos Vieira e Silva – Arquitetura, Urbanismo e Design/CT/UFC

Anselmo Ramalho Pitombeira Nero – Engenharia de Produção/CT/UFC

Antônia Emanuela Oliveira de Lima – Estudos Interdisciplinares/CCA/UFC

Antônia Lis de Martins Torres – Estudos Especializados/FACED/UFC

Antônio Caubi Ribeiro Tupinambá – Psicologia/CH/UFC

Antônio George Lopes Paulino – Ciências Sociais/CH/UFC

Antônio Macário Cartaxo de Melo – Engenharia Estrutural e Construção Civil/CT/UFC

Aura Celeste Santana Cunha – Arquitetura, Urbanismo e Design/CT/UFC

Atilio Bergamini Junior – Literatura/CH/UFC

Beatriz Rêgo Xavier – Direito Privado/FADIR/UFC

Bernadete de Souza Porto – Teoria e Prática do Ensino/FACED/UFC

Bruno Anderson Matias da Rocha – Bioquímica e Biologia Molecular/CC/UFC

Bruno de Athayde Prata – Engenharia de Produção/CT/UFC

Camila do Espírito Santo Prado de Oliveira – Filosofia/IISCA/UFCA

Camila Holanda Marinho – Sociologia/UECE

Carlos Alexandre Gomes Costa – Engenharia Agrícola/CCA/UFC

Carlos Augusto Uchôa da Silva – Engenharia de Transportes/CT/UFC

Carlos César Souza Cintra – Direito Público/FADIR/UFC

Carlos Kleber Saraiva de Sousa – Ciências Sociais/CH/UFC

Carlos Diego Rodrigues – Estatística e Matemática Aplicada/CC/UFC

Celecina de Maria Veras Sales – Estudos Interdisciplinares/CCA/UFC

Cicero Anastácio Araújo de Miranda – Letras Estrangeiras/CH/UFC

Clarice Zientarski – Fundamentos da Educação/FACED/UFC

Claudiana Maria Nogueira de Melo – Estudos Especializados/FACED/UFC

Claudicelio Rodrigues – Literatura/CH/UFC

Clayton Mendonça Cunha Filho – Ciências Sociais/CH/UFC

Clélia Maria Nolasco Lopes – Clínica Odontológica/CH/UFC

Clovis Ramiro Jucá Neto – Arquitetura e Urbanismo/CT/UFC

Consiglia Latorre – Música/ICA/UFC

Cristiane Amorim Martins – Estudos Especializados/FACED/UFC

Cristina Maria da Silva – Ciências Sociais/CH/UFC

Cynara Monteiro Mariano – Direito Público/FADIR/UFC

Daniel Almeida de Lima – Letras Libras e Estudos Surdos/CH/UFC

Daniela Duarte Dumaresq – Cinema e Audiovisual/ICA/UFC

David Barbosa de Oliveira – Administração/FEAAC/UFC

Dilmar Miranda – Filosofia/ICA/UFC

Dolores Aronovich Aguero (Lola Aronovich) – Est. Líng. Ingl., suas Lit. e Trad./CH/UFC

Dora Utermohl de Queiroz – Música/ICA/UFC

Edlane Freitas Chaves – Professora da Prefeitura de Maracanaú

Eduardo Loureiro Júnior – UECE

Ercília Maria Braga de Olinda – Teoria e Prática do Ensino/FACED/UFC

Eurípedes Antônio Funes – Aposentado – História/CH/UFC

Everton Nery Carneiro – UNEB

Fabio Maia Sobral – Economia Ecológica/CCA/UFC

Felipe Braga Albuquerque – Direito Público/FADIR/UFC

Fernanda Suely Müller – Letras Estrangeiras/CH/UFC

Fernando José Pires de Sousa – Teoria Econômica/FEAAC/UFC

Flávio José Moreira Gonçalves – Direito Processual/FADIR/UFC

Flávio Rodrigues do Nascimento – Geografia/CC/UFC

Francisca Geny Lustosa – Estudos Especializados/FACED/UFC

Francisca Maurilene do Carmo – Teoria e Prática do Ensino/FACED/UFC

Francisco Gildemir Ferreira da Silva – Finanças/FEAAC/UFC

Francisco Tarcízio C. Benevides Jr. – Cultura Britânica/CH/UFC

Francisco Ursino da Silva Neto – Saúde Comunitária/FAMED/UFC

Franck Ribard – História/CH/UFC

Geísa Mattos Lima – Ciências Sociais/CH/UFC

Gema Galgani Silveira Leite Esmeraldo – Prodema/UFC/UFC

Gerardo Silveira Viana Júnior – Música/ICA/UFC

Gisele Simone Lopes – Química Analítica e Físico-Química/CC/UFC

Glícia Maria Pontes Bezerra – Comunicação Social – Publicidade e Propaganda/CH/UFC

Gustavo Machado Cabral – Direito Público/FADIR/UFC

Gustavo Raposo Pereira Feitosa – Direito Processual/FADIR/UFC

Helena Martins do Rêgo Barreto – Comunicação Social – Jornalismo/ICA/UFC

Heliomar Cavati Sobrinho – Departamento de Ciências da Informação/CH/UFC

Heloisa Maria Barroso Calazans – Casa de Cultura Portuguesa/CH/UFC

Hermínio Borges Neto – Estudos Especializados/FACED/UFC

Idevaldo da Silva Bodião – Aposentado/Teoria e Prática do Ensino/FACED/UFC

Inês Sílvia Vitorino Sampaio – Comunicação Social – Publicidade e Propaganda/CH/UFC

Irenísia Torres de Oliveira – Literatura/CH/UFC

Irlys Alencar Firmo Barreira – Ciências Sociais/CH/UFC

Ivone Cordeiro Barbosa – História/CH/UFC

Jackson Alves de Aquino – Ciências Sociais/CH/UFC

Jailson Pereira da Silva – História/CH/UFC

Janaína Soares Noleto Castelo Branco – Direito Processual/FADIR/UFC

Jarbas de Sá Roriz Filho – Medicina Clínica/FAMED/UFC

Jeovah Meireles – Geografia/CC/UFC

Joannes Paulus Silva Forte – Curso de Ciências Sociais/UEVA

João Alfredo Telles Melo – Direito/UNI7

João Batista de Albuquerque Figueiredo – Teoria e Prática do Ensino/FACED/UFC

João Bosco Furtado Arruda – Engenharia de Produção/CT/UFC

João César Abreu de Oliveira Filho – Geografia/CC/UFC

João Paulo Pereira Barros – Psicologia/CH/UFC

Josefa Jackline Rabêlo – Teoria e Prática do Ensino/FACED/UFC

José Carlos de Araújo – Engenharia Agrícola/CCA/UFC

José Ernandi Mendes – UECE

José Gerardo Vasconcelos – Fundamentos da Educação/FACED/UFC

José Levi Furtado Sampaio – Geografia/CC/UFC

José Mendes Fonteles Filho– Estudos Especializados/FACED/UFC

José Roberto Feitosa e Silva – Biologia/CC/UFC

José Rogério Santana – Fundamentos da Educação/FACED/UFC

Joyceanne Bezerra de Menezes – Direito Privado/FADIR/UFC

Júlio César Rosa de Araújo – Letras Vernáculas/CH/UFC

Júlio Ramon Teles da Ponte – Teoria Econômica/FEAAC/UFC

Juvênia Bezerra Fontenele – Farmácia/FFOE/UFC

Kátia Lucy Pinheiro – Letras Libras e Estudos Surdos/CH/UFC

Kênia Sousa Rios – História/CH/UFC

Kleyton Rattes – Ciências Sociais/CH/UFC

Laeria Beserra Fontenele – Psicologia/CH/UFC

Larissa Fortunato Araújo – Saúde Comunitária/FAMED/UFC

Lea Carvalho Rodrigues – Ciências Sociais/CH/UFC

Lena Lúcia Espíndola de Figueiredo – Aposentada/Cultura Francesa/CH/UFC

Leonardo Antonio Silva Teixeira – DELILT/CH/UFC

Letícia Joaquina de Castro Rodrigues Souza e Souza – Letras Estrangeiras/CH/UFC

Liana Brito de Castro Araújo – Serviço Social/UECE

Ligia Maria Melo de Casimiro – Direito Público/FADIR/UFC

Ligia Regina Franco Sansigolo Kerr – Saúde Comunitária/FAMED/UFC

Luciana Martins Quixadá – Psicologia/UECE

Luciane Germano Goldberg – Teoria e Prática do Ensino/FACED/UFC

Luís Távora Furtado Ribeiro – Teoria e Prática do Ensino/FACED/UFC

Luiz Fábio S. Paiva – Ciências Sociais/CH/UFC

Luiz Renato Bezerra Pequeno – Arquitetura, Urbanismo e Design/CT/UFC

Marcelo José Monteiro Ferreira – Saúde Comunitária/FAMED/UFC

Marcelo Magalhães Leitão – Literatura/CH/UFC

Marcia Correia Chagas – Direito Processual/FADIR/UFC

Marcial Porto Fernandez – Ciências da Computação/UECE

Márcio Ferreira Rodrigues Pereira – Direito Processual/FADIR/UFC

Marcus Weydson Pinheiro – Letras Libras e Estudos Surdos/CH/UFC

Margarida Maria Pimentel de Souza – Letras Libras e Estudos Surdos/CH/UFC

Maria do Céu de Lima – Fundamentos da Educação/FACED/UFC

Maria José Albuquerque da Silva – Teoria e Prática do Ensino/FACED/UFC

Maria José Costa dos Santos – Teoria e Prática do Ensino/FACED/UFC

Maria Izaira Silvino Moraes – Aposentado/Teoria e Prática do Ensino/FACED/UFC

Mariana Mont’Alverne Barreto – Ciências Sociais/CH/UFC

Mariana Tavares Cavalcanti Liberato – Psicologia/CH/UFC

Mário Angelo Nunes de Azevedo Filho – Engenharia de Transportes/CT/UFC

Mário Martins Viana Júnior – História/CH/UFC

Martinho Tota – Ciências Sociais/CH/UFC

Maxmiria Holanda Batista – Saúde Comunitária/FAMED/UFC

Newton de Menezes Albuquerque – Direito Público/FADIR/UFC

Orlando Soeiro Cruxên – Psicologia/CH/UFC

Patrícia Helena Carvalho Holanda – FACED/UFC

Paulo Antônio Menezes de Albuquerque – Direito Processual/FADIR/UFC

Rafael dos Santos da Silva – Engenharia Ambiental/Campus Crateús/UFC

Raimundo Mendes da Silva – Casa de Cultura Britânica/CH/UFC

Raquel Coelho Freitas – Direito Público/FADIR/UFC

Raquel Ramos Machado – Direito Público/FADIR/UFC

Raquel Rigotto – Aposentada-Saúde Comunitária/FAMED/UFC

Renata Castelo Peixoto – Letras Libras e Estudos Surdos/CH/UFC

Renata Ferreira de Carvalho Leitão – Morfologia/FAMED/UFC

Ricardo Lincoln Laranjeira Barrocas – Psicologia/CH/UFC

Rita Cláudia Aguiar Barbosa – Estudos Interdisciplinares/CCA/UFC

Robéria Vieira Barreto Gomes – Estudos Especializados/FACED/UFC

Rodrigo Nogueira Machado – Letras Libras e Estudos Surdos/CH/UFC

Roger Lineira Prestes – IISCA/UFCA

Romeu Duarte Júnior – Arquitetura, Urbanismo e Design/CT/UFC

Rosa Cristina Primo Gadelha – Dança/ICA/UFC

Roseli Barros Cunha – Letras Estrangeiras/CH/UFC

Rosimeire Costa de Andrade Cruz – Estudos Especializados/FACED/UFC

Rundesth Saboia Nobre – Letras Libras e Estudos Surdos/CH/UFC

Sandra Maria Gadelha de Carvalho – UECE

Sandra Petit – Estudos Especializados/FACED/UFC

Silvia Helena Vieira Cruz – Estudos Especializados/FACED/UFC

Solange Maria de Oliveira Schramm – Arquitetura, Urbanismo e Design/CT/UFC

Sônia Pereira – Estudos Especializados/FACED/UFC

Suelly Helena de Araújo Barroso – Engenharia de Transportes/CT/UFC

Suene Honorato de Jesus – Literatura/CH/UFC

Sylvia Beatriz Bezerra Furtado – Cinema e Audiovisual/ICA/UFC

Tânia Maria Batista de Lima – Estudos Especializados/FACED/UFC

Tiago Coutinho Parente – Jornalismo/IISCA/UFCA

Uribam Xavier – Ciências Sociais/CH/UFC

Vanessa Lima Vidal Machado – Letras Libras e Estudos Surdos/CH/UFC

Veriana de Fátima Rodrigues Colaço – NUCEPEC-Psicologia/CH/UFC

Verônica de Melo Fernandes – Casa de Cultura Britânica/CH/UFC

Vicente Lima Crisóstomo – Ciências Contábeis/FEAAC/UFC

Virgínia Bentes Pinto – Ciências da Informação/CH/UFC

Yuri Brunello – Letras Estrangeiras/CH/UFC

Zuleide Fernandes Queiróz – Pedagogia/URCA

Zulmira Aurea Cruz Bonfim – Psicologia/CH/UFC

 

(Aqueles/as que desejarem assinar o manifesto podem solicitar inclusão pelo comentário, informando nome, departamento e universidade)

 

ELEIÇÕES 2018: CENÁRIOS E PERSPECTIVAS PARA O BRASIL

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Palestra da profa. Alba Maria Pinho de Carvalho (UFC) – 19/10/2018

As eleições de 2018 revelam reviravoltas e mudanças graves no cenário político, a serem avaliadas com a necessária lucidez e perspicácia analítica, capaz de ver o novo em meio às permanências que se atualizam. Tenho consciência que nós, cientistas sociais, por dever de ofício, somos interpelados a construir esta avaliação das relações de forças em disputa no atual momento. O momento presente, que hora vivemos, assume uma dimensão singular, qual seja: é o momento pós-primeiro turno, quando já se definiram configurações sociopolíticas no Congresso Brasileiro, com o nítido avanço da extrema direita, apoiada pelo mercado financeiro, pelo agronegócio e pelas igrejas evangélicas pentecostais nos seus fundamentalismos religiosos e morais; é o momento pré-segundo turno a realizar-se, precisamente, daqui a alguns dias e que, na ótica de um considerável segmento de analistas, assume uma dimensão plebiscitária. É um plebiscito sobre os rumos do país nesses próximos anos ou mesmo décadas, com a escolha decisiva entre a CONTINUIDADE DA DEMOCRACIA BRASILEIRA, em suas contradições, debilidades e disputas, e o FASCISMO, em um contexto do “ódio como política”. Nunca senti tão fortemente a dimensão de uma conjuntura “em movimento”, na tessitura da história desse país. É a “história se fazendo”, no decorrer do período eleitoral e, particularmente, a cada dia que nos separa do segundo turno.

A participação nessa mesa, nesse contexto, tem me angustiado pela complexidade dos processos a exigir o devido desvendamento analítico, em cima dos fatos. No entanto, tranquiliza-me o fato de que esta mesa é um espaço de reflexão coletiva entre nós, a cruzar olhares e a provocar debates de questões que estão na ordem do dia, com muita força no nosso cotidiano.

A discussão centra-se em uma questão fundante, qual seja: que cenários e perspectivas circunscrevem-se a partir do resultado do primeiro turno e da acirradíssima disputa de projetos de Brasil, disputa de modos de organizar a vida social neste segundo turno das eleições de 2018.

As urnas do primeiro turno mostram um aumento do conservadorismo no Senado e na Câmara, em meio às reviravoltas de cadeiras, revelando, como avalia Vladimir Safatle, um fenômeno específico da conjuntura política brasileira: UM DESCOLAMENTO DA EXTREMA DIREITA EM RELAÇÃO À DIREITA TRADICIONAL. Assim, a extrema direita, até então sem maior representatividade no Congresso Nacional, avança e ganha posições, surfando nas ondas do chamado “bolsonarismo”. Senão vejamos: o até então inexpressivo PSL tem hoje a segunda maior bancada na Câmara Federal, com 52 deputados; o MDB e PSDB se transformam em partidos médios; o MDB e o DEM, que eram a base da direita tradicional brasileira, perdem relevância, dada a perda de mandatos de figuras emblemáticas do jogo político, há décadas no cenário nacional.

Uma onda de antipetismo, que termina sendo uma onda anti-esquerda, varre o país e o conservadorismo empodera-se com diferentes faces, desde as práticas fascistas até a defesa da ordem, a partir da família, da pátria e de Deus. A onda do conservadorismo chega à periferia, pela força de uma fé fundamentalista, juntando-se a um desejo difuso de mudanças. O Brasil pode entrar em “uma noite sem fim”, nos marcos do fascismo, dependendo do resultado das eleições à presidência! Ainda, segundo Safatle, o Brasil vai viver os próximos meses e os próximos anos com a ameaça de um golpe militar, com características próprias, como “a espada de Dâmocles sobre a cabeça”.

As esquerdas de diferentes matizes, segmentos progressistas, setores democráticos e, mesmo, grupos antiditadura se unem nesse momento histórico para enfrentar a ameaça fascista, representada por Bolsonaro. É emblemático o apoio à candidatura de Fernando Haddad de personalidades como o cineasta Arnaldo Jabor que, nos últimos tempos, encarnou o antipetismo. Igualmente, merecem destaque os pronunciamentos contra Bolsonaro de jornalistas como Miriam Leitão e Reinaldo Azevedo, defensores contumazes do impeachment deflagrador do Golpe de 2016. Este espirito de articulação de forças contra o fascismo, como uma exigência histórica deste momento presente, é bem traduzido por Boaventura de Sousa Santos, no título de artigo recente para a Revista Fórum: “Democratas brasileiros, uni-vos”.

Coloca-se uma questão fundante na mesa de debate: COMO CHEGAMOS A ESTE MOMENTO LIMITE? COMO CHEGAMOS A ESTE CENÁRIO TÃO PRÓXIMO DO FASCISMO NA VIDA BRASILEIRA?

Antes de mais nada, é preciso vincular esse momento-limite de ameaça fascista iminente ao processo do Golpe de 2016 e sua pesada arquitetura de “GOLPES DENTRO DO GOLPE”: Impeachment de Dilma Rousseff; entrega dos campos de petróleo da camada do pré-sal para as grandes corporações internacionais; contrarreforma trabalhista; lei da terceirização; Emenda Constitucional 95 de congelamento de gastos sociais, com drásticos cortes nos orçamentos das políticas públicas; reforma do ensino médio; privatizações de estatais e todo um arsenal de medidas de políticas ultraneoliberais. E, culminando o processo de Golpe, a prisão política do ex-presidente Lula, como um verdadeiro “impeachment preventivo”, inviabilizando sua candidatura a presidente nas eleições de 2018. Cabe ressaltar que muitas das forças políticas e sociais que apoiaram e viabilizaram o Golpe de 2016, ou dele não discordaram, não previam que a situação do país chegaria a esse cenário de fascismo iminente. De fato, houve uma perda de controle de determinados segmentos das elites políticas que já fazem a autocrítica, como setores do PSDB, capitaneado pelo senador Tasso Jereissati. Ademais, a própria grande mídia, frente à ameaça real do fascismo, começa a criar fatos no sentido de combater a candidatura do PSL, como ,por exemplo, a Folha de São Paulo que, nesta quinta-feira (18\10\2018), publicou matéria com escândalos diversos, referentes às práticas ilegais realizadas pela campanha de Bolsonaro.

Nesse cenário de uma possível tragédia fascista, é fundamental destacar a atuação da grande mídia, que, segundo analisa a professora Helena Martins, “ajudou a construir o ‘mito’ que ameaça a democracia”. Avalia Martins: “décadas de discurso anti-política, anti-PT e em prol da intolerância forjaram o caminho para que os fascistas chegassem aonde estão”.

O FASCISMO É A CONSUMAÇÃO DO GOLPE, materializado no bolsonarismo que, nas eleições do primeiro turno, parece invadir o país nas mais diversas regiões, com exceção do Nordeste.

Na construção de uma reflexão crítica sobre esse cenário, inspiro-me em pistas de analistas como Vladimir Safatle, Boaventura de Sousa Santos, Jessé de Sousa que, de diferentes formas, delineiam ELEMENTOS CENTRAIS que estão na base de todo esse momento de explosão do conservadorismo, da dominância do ódio e do medo, da ameaça fascista, com a aproximação dos militares ao poder, enfim, da exacerbação do autoritarismo, a atingir a democracia brasileira nos circuitos do Golpe de 2016. Para efeito de análise, delineio quatro elementos:

1º ELEMENTO – A PRÓPRIA FORMAÇÃO SOCIAL BRASILEIRA, que, ao longo do colonialismo e do escravismo, gestou uma sociedade extremamente dividida, segmentada entre senhores e escravos, entre elites oligárquicas e povo ignaro, entre normalidade institucional para os considerados cidadãos e violência extra-institucional para os que habitam às margens da vida social. De fato, é uma sociedade com um DNA societal de desigualdade estrutural em que a desigualdade socioeconômica nunca se separou do preconceito e do estigma racial e sexual, das questões de gêneros. É esta uma bomba relógio, sempre prestes a explodir em práticas discriminatórias, estigmatizantes, violentas e mesmo fascistas, com as chamadas “minorias”: mulheres, negros, índios, ciganos, população LGBT, pobres e miseráveis;

2º ELEMENTO – HERANÇA DA DITADURA CIVIL-MILITAR DO GOLPE DE 1964 não devidamente enfrentada, em uma transição continuísta, pactuada entres as elites militares e as elites políticas. Essa transição pactuada para a democracia é ratificada na própria Constituição de 1988 que, dentre outros pactos, mantém as Forças Armadas como única garantia da ordem política interna, em estado de prontidão para intervir em qualquer momento definido como excepcional. Ademais, não houve punição dos crimes da ditadura e as polícias continuaram a ser Polícias Militares. Enfim, a ditadura se acomodou a um horizonte de democracia formal, mas permaneceu nos subterrâneos da nossa história. Logo, apelar à intervenção militar e à ideologia militarista autoritária ficou sempre latente, como uma bomba pronta a explodir. Como sustenta Safatle, em recente entrevista, “quando não se acerta suas contas com a História, a História te assombra”.

3º ELEMENTO – O PRÓPRIO CONTEXTO DE EXTREMA DESIGUALDADE E VIOLÊNCIAS MARCANTES NA VIDA BRASILEIRA COMTEMPÔRANEA, com um permanente ESTADO DE EXCEÇÃO nas periferias que, mergulhadas na total desproteção e vulnerabilidade, não acreditam e não confiam no Estado para garantir sua segurança. Assim, difunde-se no interior desse grande segmento populacional e, mesmo em setores da classe média, um desejo difuso de mudança a encarnar-se em um possível “salvador da pátria”, homem forte, capaz de garantir segurança e resgatar a ordem, a qualquer custo, sobretudo com o extermínio da “população matável”, que habita às margens da vida social, os classificados como “bandidos”, a ameaçar os considerados cidadãos do bem. Neste contexto, o discurso do armamento, do extermínio de bandidos, da redução da maioridade penal, do medo, do ódio tem enorme penetração e ressonância. De fato o voto em Bolsonaro é um voto na descrença na política, em uma rebeldia conservadora voltada para o passado, na ameaça representada pelas pautas progressistas; é um voto da emoção de um grande contingente movido pelo medo como afeto político central.

4º ELEMENTO – CAMPANHA ELEITORAL NO CONTEXTO DA CHAMADA PÓS VERDADE, FINCADA EM UMA AVALANCHE DE FAKE NEWS, DE NOTÍCIAS FALSAS QUE SE DIFUNDEM NA LIQUIDEZ E NA EXTREMA VELOCIDADE E CAPILARIDADE DAS REDES SOCIAIS, SOBREMODO O WHATSAPP. Dentro de um esquema de comunicação mercadológica, nos marcos do capitalismo informacional, bem utilizado pela extrema direita, esta campanha de 2018 foi montada para que os espaçoS de debate implodissem. O Brasil está na rota de uma lógica de extrema direita internacional em que se opera não mais no espaço aberto, mas se opera no espaço obscuro, virtual, utilizando métodos e técnicas da Cambridge Analytica, usado, com extrema eficiência na difusão das fake news, inclusive com notícias falsas na montagem de vídeos. Caso emblemático são os vídeos montados para desqualificação e criminalização do movimento social de massa “#ELENÃO”, misturando imagens das manifestações com imagens de mulheres profanando símbolos religiosos, mulheres nuas e seminuas em praça pública, para chocar a classe média e os segmentos populares conservadores. Indiscutivelmente, a campanha bolsonarista surpreende analistas do mundo digital pela excelência da técnica de campanha nas redes sociais: micro direcionamento; marketing digital; ultrapersonalização; manipulação de sentimentos e criação de fatos não acontecidos. E agora vem à tona o Caixa 2 da campanha Bolsonaro, com “pacotes” de WhatsApp. Em verdade, estamos imersos em uma “disputa de narrativas” neste complexo mundo das fake News, com campanha difamatória contra a candidatura Haddad, feita por grupos profissionalizados e financiados por empresas privadas.

É NA COMPOSIÇÃO E INTERCONEXÕES DE TODOS ESSES ELEMENTOS QUE SE CONSTRÓI O CHAMADO “FENÔMENO BOLSONARO”, OU “BOLSONARISMO”: um político tradicional inexpressivo com 28 anos na política, “um canalha em estado puro”, que contraria qualquer tipo de moral, colocando-se num plano anticivilizacional, como afirma o analista Francisco Assis, em matéria no “Jornal O Público”, com o título” Um canalha à porta do Planalto”; militar reformado, machista, racista, misógino, fascista, que se identifica com torturadores, despreparado, tosco, sem carisma que, num contexto específico da vida brasileira, consegue sintonizar com desejos de ordem, sentimentos de medo e com a efetiva identificação com o discurso moralizante das igrejas pentecostais de um deus mercadológico.

Esther Solano, socióloga organizadora do recente livro publicado pela editora Boitempo, com o título “Política como ódio”, delineia, a partir de estudos e pesquisas, pistas para pensar e discutir essa tendência de voto no conservadorismo da extrema direita, encarnado, hoje, no Brasil, em Bolsonaro. Destaca que este voto, dentre outras dimensões por ela analisadas, expressa o desejo exacerbado da ordem como questão da existência, vinculado à negação das pautas progressistas como ameaça à estabilidade da sociedade. Na base desse voto bolsonariano, encontra-se uma culpabilização das pautas progressistas como responsáveis por todas as mazelas que afligem a sociedade. Neste sentido, efetiva-se uma reapropriação de conceitos centrais das lutas dos movimentos em uma contranarrativa desta “nova direita” ou direita reciclada. Um exemplo cabal é a referência dessa nova direita ao que chamam de “ideologia de gênero” como uma das maiores ameaças à sociedade, à família e à infância.

Em meio a esta explosão da extrema direita, fincada no conservadorismo e na defesa de políticas ultra neoliberais que descartam direitos, desconsiderando qualquer dimensão da dignidade humana, vem emergindo e consolidando-se um fenômeno novo, sobretudo no segundo turno das eleições presidenciais de 2018: A EMERGÊNCIA DE UMA AMPLA FRENTE DEMOCRÁTICA CONTRA O FASCISMO. Nesta perspectiva, atualizam-se, em tempos contemporâneos, formas de luta que remetem ao tempo histórico da redemocratização: organização por categorias profissionais, com pronunciamentos públicos em Manifestos; mobilizações de Fóruns de diferentes formatos; retomada de trabalho político nas ruas e periferias; articulação de escritores, artistas, intelectuais; disputa incansável de narrativas usando as redes sociais… uma criação ampla de redes com intenso partilhamento de notícias e artigos em um ritmo frenético constante, sem limites de tempo e hora. Enfim, amplos segmentos dos que se identificam com a democracia sentem-se interpelados, de diferentes formas, a uma mobilização e ação política, É ESTA UMA FORÇA QUE ENCARNA A PAIXÃO POLÍTICA QUE MOBILIZA A VONTADE COLETIVA E QUE, COMO EXIGÊNCIA HISTÓRICA, PRECISA PERMANECER PARA ALÉM DAS ELEIÇÕES, QUALQUER QUE SEJA O RESULTADO DO SEGUNDO TURNO.

DESTRUIÇÃO DO MUSEU NACIONAL: uma tragédia anunciada

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Nosso pesar diante do incêndio que destruiu o Museu Nacional no Rio de Janeiro – tragédia que abalou profunda e irreparavelmente a memória da Ciência e da Cultura no Brasil – nos move no esforço de fazer do luto a luta.

Há décadas, gestores, pesquisadores e professores que trabalham na UFRJ e no Museu têm denunciado as precárias condições de conservação e manutenção dessa instituição que acabou de completar 200 anos de existência. A falta de um sistema de prevenção de incêndio era tomada como anúncio de uma tragédia iminente. O descaso dos sistemas de governança diante do nosso patrimônio histórico, artístico e cultural, agravou-se mais recentemente na cena do golpe que segue em curso, desde o qual as verbas destinadas ao Museu passaram a declinar perigosamente. A tragédia de hoje não pode ser tomada como acidente, mas como resultado criminoso do descaso de um Estado omisso e desinteressado, configurando-se uma violação do direito de uma Nação ao resguardo de sua memória.

Agora em 2018, o Museu estava sem receber o repasse de verbas necessário e suficiente para uma manutenção segura. Isso já reflete o quadro do abismo para o qual o governo golpista nos empurra, com perdas intensificadas e insustentáveis nos campos da Saúde, Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Serviços Públicos, como efeito da Emenda Constitucional do Teto dos Gastos Públicos, que autoriza o Governo a congelar por 20 anos os investimentos nesses setores.

Em tal contexto, o que mais do nosso patrimônio tombará entre chamas? Nosso grito de dor e indignação neste momento não traz de volta 200 anos de história e um patrimônio perdido, onde se abrigavam peças museológicas e conhecimentos distribuídos em diferentes áreas das ciências: história, geografia, arqueologia, paleontologia, botânica, antropologia biológica e social, política, artes, dentre outras. Todavia, esse grito alerta para o fato da fragilidade em que se encontram nossas instituições de saber, cultura e memória. Em diferentes regiões do país, temos prédios tombados que por si representam uma memória a ser resguardada e são espaços de preservação e exposição de acervos importantíssimos da Cultura em nosso país, com exemplares de diversas regiões do mundo.

Não podemos nos calar engasgados em nossas lágrimas. Que essa trágica lição nos mova a recusar o jogo político que, na chamada “ponte para o futuro”, inverte as prioridades sociais da Nação, servindo à acumulação privada e rentista, ao passo em que torna célere o desmonte de nossas conquistas históricas, culturais e sociais, aprofundando desigualdades e injustiças. Que sirva de lição também no sentido de nos ensinar e sensibilizar para valorizarmos mais nossos espaços de memória, nossa ancestralidade. Visitemos mais nossos museus e nossos acervos! Exerçamos também nossa responsabilidade educativa como cidadãos e cidadãs!

Coletivo Graúna

Fortaleza, 04/09/2018

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[NOTA PÚBLICA] O avanço da criminalização não vai parar nossa missão! 

Dorothy vive e queremos Padre Amaro livre!

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) foi surpreendida ontem (27) com a notícia da prisão do Padre José Amaro Lopes de Sousa, em Anapu, Pará.

Padre Amaro faz parte da equipe pastoral da Prelazia do Xingu, e da equipe da CPT, à qual pertencia a Irmã Dorothy Stang, assassinada em 2005, em Anapu, na luta pelo direito à terra para os que dela precisavam e na defesa de uma convivência harmoniosa com a natureza. Por isso, ela foi incansável e obstinada na concretização dos chamados PDS, Projetos de Desenvolvimento Sustentável. Continuar lendo

NOTA DE REPÚDIO AO MACHISMO NA UFC II

O Coletivo Graúna, formado por professoras e professores que lutam por uma educação democrática, vem a público reafirmar que a Universidade Federal do Ceará como instituição de formação e de grande relevância social deve se constituir em uma referência de práticas e de construção de conhecimentos em torno da garantia de Direitos Humanos para Mulheres e Homens em nossa sociedade. Nesse sentido, professoras e professores do Coletivo Graúna solidarizam-se profundamente com a estudante de 16 anos recém-ingressa no Curso de Agronomia, que foi vítima de comportamento abusivo por parte de um professor, em aula no dia 12 de março de 2018, no campus do Pici/UFC.

As mulheres ainda realizam ações públicas e políticas no mês de março, mês dedicado à luta por seus direitos ao trabalho digno e justo e a uma vida sem violência, dentre outras pautas necessárias ao pleno reconhecimento das mulheres como sujeitos de direitos, quando são surpreendidas por fatos como esse que violentam jovens e sustam seus melhores sonhos. Continuar lendo

[COMUNICADO] Documento entregue na Assembleia Geral de 07 de dezembro

Leia o ofício entregue à diretoria da ADUFC na Assembleia Geral de 07 de dezembro de 2017, assinado por diversos filiados:

Fortaleza, 07 de dezembro de 2017

 

À Diretoria do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais no Ceará – ADUFC

Av. da Universidade, 2346 – Benfica, Fortaleza – CE, 60020-180

Att. Sr. Presidente Ênio Pontes

 

Prezado(s) Diretores(as) da ADUFC,

Vimos, pela presente, na condição de filiados desse Sindicato, manifestar nossas preocupações com a atuação dessa atual diretoria da ADUFC, as quais podem ser resumidas em 03 (três) questões centrais: 1) ausência de prestação de contas há dois anos e seis meses; 2) não-convocação de assembleias e não-cumprimento das decisões tomadas nas instâncias colegiadas deliberativas do sindicato; 3) desenvolvimento de atividades estranhas aos objetivos da entidade e aos interesses da categoria, inclusive destinando vultosos recursos a finalidades incompatíveis e inadequadas a uma entidade sindical.

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