Luta e esperança!

A greve deflagrada pelos docentes da UFC e da UFCA, em assembleia no dia 18/11, foi um resultado importante da mobilização da categoria, em luta contra medidas que pioram as condições de vida e de trabalho da quase totalidade da sociedade brasileira. Tais medidas, encampadas pelos três poderes da república e amplamente rejeitadas pela sociedade, constituem a prova cabal da falência de nosso sistema representativo e de nossos sistemas de poder, todos em flagrante descompasso com os anseios sociais e coletivos.

Nossa greve fez parte de um amplo movimento de contestação – juntando-se às lutas de estudantes, técnico-administrativos, docentes de outras IFES, outras categorias de trabalhadores, coletivos e entidades da sociedade civil. Participamos ativamente de ações de resistência tanto aqui em Fortaleza, como em Brasília, fortalecendo também a mobilização nacional dos docentes e dos demais servidores públicos federais.

No final, entretanto, a diretoria da ADUFC não convocou a assembleia que havia sido aprovada em outra anterior, para o dia 15/12, com a pauta de avaliação da greve e encaminhamentos. Terminamos sem assembleia, sem avaliação, sem definição dos próximos passos. A diretoria simplesmente negligenciou seu papel de liderança, em mais uma de suas muitas atitudes antissindicais.

Um tópico relevante de discussão na assembleia não convocada seria entender a importância da greve, apesar da aprovação da PEC 55. Poderíamos ali ter lembrado das lutas sociais que nos antecederam, das conquistas que elas nos legaram, das vitórias alcançadas pela capacidade de insistir e mobilizar e acumular força. A PEC foi aprovada, mas as energias sociais reunidas para confrontá-la permanecem e estão crescendo. Especialmente porque outras medidas contrárias aos interesses da sociedade se anunciam para o ano de 2017, a exemplo da PEC 287, que instituirá a reforma da previdência.

Além da mobilização de nossas melhores energias, foram inestimáveis os ganhos em conhecimento, consciência e convivência, nas muitas atividades promovidas pelas ocupações estudantis. A ressignificação dos espaços, a invenção de novas práticas na universidade e o protagonismo estudantil são provas de que uma verdadeira democracia é possível e está em movimento. Pautas internas importantes foram colocadas em discussão, como a da democracia universitária.

A greve contra a PEC 55, terminada no dia 13/12, foi uma greve histórica, um passo coletivo importante na resistência aos ataques contra os direitos sociais e sobretudo contra a educação e a ciência no país, talvez os setores mais visados pelo governo ilegítimo e sua maioria obscurantista no congresso nacional. Agora é caminhar novos passos, é prosseguir no grande experimento de resistência que se tem construído aqui e por todo o país. A esses novos passos, estamos todos/as convidados/as, num 2017 de reconstrução da vida sindical e da cultura universitária democrática!

Fortaleza, 16 de janeiro de 2017

Coletivo Graúna
Professores por uma educação democrática!

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