“Construindo resistência e esperança” – Nota sobre a greve dos professores das Universidades Federais do Ceará

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Aquarela de autoria do Prof. Cláudio Rodrigues (UFC)

A Assembleia Geral dos Docentes das Universidades Federais do Ceará, realizada no dia 18 de novembro, decidiu pela deflagração de greve por tempo determinado, até dia 13/12, data em que está prevista no Senado Federal a votação final da PEC 55.

A assembleia anterior já havia aprovado o apoio à greve dos estudantes, deflagrada em 03/11, e às ocupações. Com os dois outros segmentos universitários em greve, estudantes e servidores técnico-administrativos, os professores agora reforçam o movimento contra as medidas antissociais do governo ilegítimo de Michel Temer.

Nacionalmente, vinte e sete universidades federais entram em greve esta semana. Mais de setenta estão ocupadas. O movimento de rejeição à PEC 55 e o sentimento de urgência crescem a cada dia nas universidades e na sociedade em geral.

Com a greve, nós, professores, queremos manifestar nossa extrema preocupação, alertar a sociedade e nos contrapor veementemente à PEC 55, em tramitação no Senado Federal. Se aprovada, nos dias 29/11 e 13/12, essa medida

  • impedirá que a maioria dos brasileiros participe da riqueza produzida no país, considerando que o PIB voltará a crescer, mas os serviços e benefícios para o povo não crescerão proporcionalmente;
  • restringirá ao longo de vinte anos os investimentos sociais em educação, saúde, transporte público, moradia e outros direitos essenciais à população, contribuindo para o agravamento da desigualdade e da desagregação social no Brasil, com previsível aumento da mortalidade, violência e criminalidade;
  • inviabilizará as metas do Plano Nacional de Educação até 2024, tais como a criação de mais 3,4 milhões de matrículas em creches, 700 mil matrículas na pré-escola, 500 mil matrículas no ensino fundamental, 1,6 milhão de matrículas no ensino médio, 2 milhões de matrículas no ensino superior, alfabetização de 14 milhões de pessoas;
  • limitará investimentos sociais, mas não gastos financeiros, reservando inclusive recursos para transações financeiras obscuras e ilegais, semelhantes às que quebraram a Grécia;
  • projetará gastos públicos relativos ao PIB em níveis incompatíveis com as exigências de uma sociedade moderna, evidenciando completa falta de compromisso com a autonomia social e econômica do país e a soberania nacional.

 

Também expressamos com a greve nossa rejeição à MP 746, de aligeiramento e fragmentação  do ensino médio, e nosso repúdio às autoritárias leis da mordaça. Embora estes motivos não tenham o apelo imediato da reivindicação salarial, eles são possivelmente os maiores que já tivemos para entrar em greve. Não podemos aceitar passivamente que nos condenem às mazelas da desigualdade e aos piores índices de desenvolvimento social no mundo. Não podemos deixar que nos transformem numa multidão de ressentidos –  insatisfeitos e afrontados, mas incapazes de agir. É na atmosfera abafada do ressentimento que medra o fascismo.

Ao contrário disso, confiamos que a dinâmica viva da sociedade brasileira não será bloqueada pela ganância e a falta de consciência social das elites no poder. Aprendemos novas formas de luta e criaremos outras mais. Na greve até 13 de dezembro e para além disso, trabalharemos incansavelmente pela construção de um forte movimento de resistência civil. Juntos – estudantes, servidores técnico-administrativos, professores, demais trabalhadores e movimentos sociais, todos os que desejam um país mais justo e igualitário –  resistiremos!!

 

Fortaleza, 21 de novembro de 2016

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