De lutas e esperanças

Temos vivido, nos últimos meses, rápidos e sucessivos ataques aos direitos conquistados ao longo do século XX. À proporção que tomamos conhecimento do teor das medidas do governo ilegítimo, acolhidas vergonhosamente pelo Congresso Nacional e o STF, nos convencemos da necessidade de intervirmos — de maneira coletiva e organizada — em decisões que afetarão nossas vidas por 20 anos. A Assembleia Geral do dia 11/10 aprovou o plebiscito sobre greve com um grande sentimento de urgência, deliberando também pela realização de reuniões setoriais nos vários campi, antes da votação.

A Diretoria da ADUFC não encaminhou as reuniões setoriais com os docentes, assim como também não se pronunciou sobre o ataque do STF ao nosso direito de greve, a poucos dias do plebiscito. Preparou a votação em completo silêncio e a realizou em meio a denúncias de irregularidades. Na assembleia de homologação (04/11), levou uma boa parte dos colegas a pensar que a não homologação do plebiscito significaria automaticamente deflagração da greve.

Não se trata, na homologação, de aprovar o conteúdo da decisão dos docentes, mas de validar o processo de consulta. Por isso, a discussão na Assembleia girou em torno da regularidade de procedimentos, da observância a padrões mínimos de verificação e da garantia de prazos e horários para participar da votação. Foram apontadas falhas em todos esses elementos no plebiscito realizado pela ADUFC:

  • O número de seções de votação foi reduzido drasticamente, sem que isso tivesse sido previamente divulgado entre os professores;
  • várias seções não tinham listas de assinaturas de votantes;
  • seções de votação iniciaram suas atividades depois do horário divulgado;
  • e, no segundo dia de plebiscito, o horário de algumas seções foi alterado.

Faltaram, portanto, os requisitos mínimos indispensáveis a um processo regular de votação. É preciso que se diga que a ADUFC não tem documentos que permitam cotejar número de votos e de votantes ou que comprovem o efetivo comparecimento do eleitor neste plebiscito. Quando a diretoria tacha de antidemocráticos e tenta estigmatizar um grupo de filiados, em uma nota inédita e antissindical, ela joga uma cortina de fumaça sobre suas irregularidades e seu autoritarismo. Foi ela que nos impôs, de maneira açodada e arrogante, desconsiderando todas as ponderações feitas no Conselho de Representantes, uma forma de votação para a qual não tinha tempo, preparo e condições suficientes. É lamentável que uma diretoria de sindicato opere sistematicamente com a desinformação para atingir seus objetivos.

Para que não se repita, é preciso mencionar: um professor na Assembleia tentou à vista de todos agredir uma colega, uma mulher franzina e negra, por ela ter gritado “vergonha”. Teve de ser contido por pessoas próximas. Com ela, depois disso, gritamos vergonha, vergonha, vergonha… Foi nossa “nota de indignação”.

Os estudantes gritaram lemas, cantaram e instigaram os professores na Assembleia, expressaram entusiasmo ou decepção, mas não ódio. É por isso que, sem fardas, sem lenço e sem documento, eles têm reinventado as lutas sociais no Brasil e a própria democracia, vítima frágil do dinheiro e das burocracias de todo tipo. As ocupações aumentam a cada dia e constituem-se num dos maiores movimentos de desobediência civil que este país já conheceu. Quem levantou a cabeça não baixa mais. Eles vão criar o futuro, que lhes querem tirar.

Todo apoio à greve dos estudantes! Todo apoio às ocupações!

 

COLETIVO GRAÚNA – Professores por uma educação democrática

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