Sim ao direito de greve!

Colegas professores,

Estamos chegando ao momento de um plebiscito sobre greve, a maioria de nós dividida entre a revolta e a apreensão. Revolta pelas medidas de retrocesso em toda a linha, que pretendem perpetuar a condição de desigualdade social e violência que tem sido a história de nosso país; apreensão pela dúvida sobre o momento ou a efetividade da greve contra um governo ilegítimo, agravada pela decisão do STF de recomendar o corte de salários de servidores públicos em greve. Faz parte da complexidade da situação que os mesmos motivos de apreensão acrescentem-se aos motivos de revolta.

A assembleia que indicou o plebiscito, em 11/10, aprovou também a realização de reuniões setoriais em todas as unidades acadêmicas para discussão sobre a greve. A diretoria do sindicato negligenciou essas reuniões e é responsável hoje também pela falta de uma reflexão realmente coletiva nas universidades federais do Ceará sobre a greve.

No momento de aprovação do plebiscito, a tendência dos movimentos de resistência ao governo ilegítimo era sobretudo a construção de uma greve geral, marcada inicialmente para dia 09, depois para dia 11 de novembro. Entretanto, diante da consciência cada vez mais forte do desmonte programado da educação pública pelo governo, a possibilidade de uma greve específica da educação veio ganhando força. A FASUBRA já deflagrou greve e o ANDES-SN está indicando a suas seções sindicais, pelo Brasil inteiro, a realização de assembleias com vistas a ações mais contundentes. Uma reunião do setor das IFES para avaliar a disposição do movimento nacional acontecerá nos dia 05 e 06/11.

A greve não é o único, mas um dos principais instrumentos dos servidores públicos para intervir nas decisões dos governantes. Neste momento, trata-se de uma greve política, contra medidas que apontam para o sucateamento dos serviços públicos, em especial a educação e a saúde, a se agravar nos próximos 20 anos. Dizer “não” a esse direito, construído historicamente por tantos trabalhadores, é se colocar em acordo com a tentativa do governo de nos silenciar, especialmente após a decisão do STF. Será que nós, professores, concordamos com a imagem que o STF, auxiliado pela grande mídia, tem construído sobre as reivindicações dos servidores? Os ministros afirmaram que a greve prejudica o serviço oferecido à população, porém assistem com olhar de aprovação às tramitações da PEC 241, que inscreve na Constituição a insuficiência e a restrição dos serviços públicos. A decisão do STF é, na verdade, um ataque ao direito de greve para colaborar com o governo ilegítimo. É um acinte vindo de um poder cujo compromisso com a sociedade nunca questionou a “punição” de juízes corruptos com polpudas aposentadorias, nem os injustificáveis privilégios de sua casta. É necessário estarmos atentos a essas contradições, que vão deixando mais explícitas as faces de um golpe orquestrado por políticos, judiciário e imprensa.

Precisamos parar agora porque os ataques não param. Redução do orçamento da universidade, cortes de bolsas e auxílios, sugestão de redução de vagas, a reforma do ensino médio imposta por medida provisória (que indica para o início de 2017 uma reforma regressiva dos currículos das licenciaturas), a anexação do MCTI ao Ministério das Comunicações, o congelamento dos investimentos sociais tramitando a toque de caixa, a reforma da previdência batendo na porta e mais uma grande variedade de retrocessos sendo gestados e implementados todos os dias, contra as mulheres, os negros, os indígenas, os movimentos sociais. Contra essas medidas, sequer as Reitorias das universidades cearenses têm se manifestado. Então nossa responsabilidade como professores aumenta.  

Estar em greve significa a possibilidade de nos dedicarmos integralmente ao enfrentamento de adversários que têm pressa em impor seu programa de retrocesso total. O sindicato, instância que deveria promover o debate, nos têm segregado ainda mais. Em greve, poderemos reinventar as formas de luta e reafirmar nosso compromisso com a qualidade da educação superior. Também teremos melhores condições de articulação com as lutas dos demais trabalhadores contra o permanente estado de exceção que sempre mediou a relação entre trabalho e capital.

Por tudo isso, e agora sobretudo pela defesa do direito de greve, é que diremos sim no plebiscito. É hora de dar uma resposta ao governo e ao STF, hora de desobedecer e  reconquistar os direitos fundamentais que nos querem negar, a começar pelo direito de resistir.

SIM À GREVE E AO DIREITO DE GREVE!

NÃO AO CONGELAMENTO DOS INVESTIMENTOS SOCIAIS POR 20 ANOS (PEC 241-55)!

NÃO À REFORMA DO ENSINO MÉDIO (MP 746)!

NÃO ÀS LEIS DA MORDAÇA!

NÃO AOS CORTES NA EDUCAÇÃO!

NÃO À CRIMINALIZAÇÃO DAS LUTAS DOS ESTUDANTES!

Coletivo Graúna

 

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