Bosque de Letras é Fortaleza

Prof. Cláudio Rodrigues – Literatura (UFC)

“Faz escuro, mas eu canto
porque a manhã vai chegar.
Vem ver comigo companheiro,
vai ser lindo, a cor do mundo mudar.
Vale a pena não dormir para esperar,
porque amanhã vai chegar”.
(Thiago de Mello)

grauna 2

Queridas alunas e queridos alunos da UFC. Caros colegas professores da UFC, da UECE e da rede básica de ensino que estiveram conosco hoje. Caríssimos companheiros dos movimentos estudantis e sociais…

Hoje o bosque das letras testemunhou um momento histórico para essa instituição. Cada árvore ali presente, que nos abrigou durante a tarde, deve estar pensando: “poxa, que bonito essa gente jovem reunida, feliz, colorida, purpurinada, confiante! que bonita essa gente jovem atenta, ouvindo professores, líderes de movimentos, homens e mulheres de luta! que bonito ver essa gente jovem abraçando-se, beijando-se, chorando, rindo! Que força temos nós, árvores desse bosque, para que nos queiram celebrar? Que símbolo representamos nós, que há tanto tempo estamos plantadas aqui? Por que somos tão merecedoras dessa manifestação toda?”Queridas árvores do Bosque da Letras da UFC… Vocês são testemunhas do quanto nós, professores e alunos, amamos esta instituição! Vocês sabem de todos os nossos segredos. Vocês estão a par de nosso choro e do nosso riso, seja pelas conquistas cotidianas, seja pelas conquistas maiores.

Hoje, vocês nos deram abrigo e proteção. E ouviram, atentamente, com sua paciência de árvore, e sua materna entrega, ouviram nosso canto, nossa poesia e nosso grito. Vocês são testemunhas de que no dia 13 de maio de 2016 quase mil pessoas se abrigaram nas suas sombras para dizer não a um governo ilegítimo e, sobretudo, para reafirmar as garantias das conquistas. Vocês vão sussurrar aos futuros alunos desta universidade que hoje houve um manifesto coletivo que disse de forma contundente: “Não mexam com nossas conquistas! Não afrontem o pensamento crítico desta casa! Não joguem na lata do lixo da história todos os fatos de dor e sofrimento que construíram nossa democracia!”.

O poeta Manoel de Barros diz que no “seu morrer tem uma dor de árvore”. E nós hoje dissemos bem forte e em uníssono: ” no nosso viver tem uma alma de árvore, assim tão forte, tão frondosa e tão acolhedora”.

Cada jovem que esteve no bosque hoje vai lembrar da purpurina, dos cartazes, dos balões, das faixas, das flores, do batuque, dos abraços, das mãos dadas, dos turbantes… Vai lembrar que afirmamos e reafirmamos o nosso compromisso com a esperança, com a luta em defesa do que consideramos ser justo e sincero. A universidade não deve jamais temer. A universidade não deve tropeçar em onda fascista. Ela não pode abrir mão de sua autonomia e de seu espírito revolucionário. Ela não pode entregar o seu espaço àqueles que são uma afronta aos direitos humanos.

A luta é todo dia. A de hoje entrou para a história da UFC? mas terá a de amanhã, a de depois de amanhã. A luta, queridos, não termina nunca. Estamos atentos, de alma lavada e extremamente irmanados. Os batuques, os cantos, a poesia e os depoimentos de hoje sejam nosso alimento para a resistência. Lembrem-se: “faz escuro, mas eu canto porque a manhã vai chegar”

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