Sem comissão eleitoral, diretoria da ADUFC-Sindicato mantém eleição para o Conselho

Mesmo com a autodissolução da comissão eleitoral, depois da renúncia de dois de seus membros, a diretoria da ADUFC-Sindicato pretende realizar eleições para as vagas remanescentes do Conselho de Representantes, biênio 2015-2017.

A diretoria exigiu o indeferimento das inscrições de duas chapas, o que os renunciantes, Profa. Irenísia Oliveira e Prof. Valdemarin Coelho, entenderam ser uma interferência inaceitável da diretoria no processo eleitoral.

No passo-a-passo dos procedimentos – deferimento das chapas pela comissão, supressão das chapas pela diretoria, renúncia da comissão e, agora, realização das eleições -, desde o dia 23, a diretoria ameaçou os membros da comissão com um processo administrativo.

Sem comissão eleitoral formada, as ações listadas nos artigos 1º e 9º do regulamento eleitoral não poderiam ser realizadas. Assim mesmo, a diretoria da ADUFC divulgou em seu site os horários e locais em que as urnas estarão disponíveis.

Na prática, a Diretoria da ADUFC transformou a si mesma em órgão deliberativo máximo da entidade. Não convoca reuniões do Conselho (a última foi autoconvocada) nem Assembleias Gerais, sequer para consultar os filiados sobre aquisições vultosas de imóveis. Quando quis impor sua vontade agora nas eleições, não respeitou o Conselho (que elegeu a comissão eleitoral) nem se dignou a submeter seus pontos de vista à Assembleia Geral. Como os retrocessos atualmente não param, na ADUFC já se chegou ao século XVII: “Le syndicat, c’est moi”.

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Eleições para o Conselho de Representantes da ADUFC-Sindicato

RENÚNCIA E DISSOLUÇÃO DA COMISSÃO ELEITORAL

Dois membros da Comissão Eleitoral responsável pelas eleições para as vagas remanescentes do Conselho de Representantes da ADUFC-Sindicato (Biênio 2015-2017), Profa. Irenísia Oliveira e Prof. Valdemarin Coelho, apresentaram carta de renúncia esta manhã à Diretoria da ADUFC-Sindicato. A carta é também resposta a um ofício em que a Diretoria exige o indeferimento de duas chapas inscritas e ameaça os membros da Comissão com processo administrativo. Como motivo principal da renúncia, os professores relatam que a Diretoria da entidade fez interferências inaceitáveis no processo eleitoral, procedeu de maneira hostil e retirou totalmente a autonomia da comissão eleita pelo Conselho de Representantes. Com a dupla renúncia, a Comissão perde as condições de funcionamento, uma vez que tem apenas um suplente, e o Conselho de Representantes precisa ser convocado para reencaminhar as eleições.

Leia aqui, na íntegra, a carta de renúncia dos dois representantes.

Os bestializados do golpe

Prof. Marcelo Peloggio – Letras (UFC)

Nossos bestializados jamais constituíram uma farsa coletiva; eles designam a mais pura tragédia. Porque a farsa traz consigo um ar de abstração; eles, pelo contrário, são bastante concretos, feitos de carne e osso, e encarnam, perfeitamente, a realidade trágica do momento atual. Nos restaurantes, nos bares, nas universidades, nas repartições fala-se de tudo: de cerveja artesanal, do colega do trabalho, de namoro, horóscopo… golpe mesmo… nada! Nada está acontecendo! A tragédia está dada. Ou melhor, nunca saímos da tragédia porque não chegamos a tê-la de fato…

No decorrer de nossa história, é fato, faltou-nos aquilo que muitos países conheceram: a tragédia mesma (ou melhor, a revolução). Não me refiro apenas à ideia de luta armada, algo que não é descartado, mas ao que é mais premente – a revolução dos costumes, que, em muitos pontos, prescinde da primeira. Continue lendo

Michael Löwy sobre o golpe

Michael Löwy, sociólogo brasileiro e diretor emérito de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), em Paris, publicou artigo no Blog da Boitempo sobre o golpe de Estado no Brasil:

“Citando Hegel, Marx escreveu no 18 de Brumário de Luís Bonaparte que os acontecimentos históricos se repetem duas vezes: a primeira como tragédia, a segunda como farsa. Isso se aplica perfeitamente ao Brasil. O golpe de Estado militar de abril de 1964 foi uma tragédia que mergulhou o Brasil em vinte anos de ditadura militar, com centenas de mortos e milhares de torturados. O golpe de Estado parlamentar de maio de 2016 é uma farsa, um caso tragicômico, em que se vê uma cambada de parlamentares reacionários e notoriamente corruptos derrubar uma presidente democraticamente eleita por 54 milhões de brasileiros, em nome de “irregularidades contábeis”.”

Leia aqui no texto na íntegra.

Stedile sobre os golpistas

João Pedro Stedile, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), publicou artigo no Brasil de Fato a respeito do governo interino:

“O ministério dos golpistas é uma piada. Um verdadeiro festival da ratazana partidária. Todos homens, brancos, hipócritas e podres. A Rede Globo fez uma campanha intensa durante os últimos meses insinuando que a presidenta Dilma deveria ser deposta pelos níveis de corrupção do governo. A pequena burguesia nas ruas clamava a volta da ditadura militar para acabar com os corruptos do PT. Pois bem, entre os atuais ministros de Temer, nada menos que sete estão como réus na Operação Lava-Jato e em outros processos de corrupção.”

Leia aqui o texto na íntegra.

 

Dr. Fantástico: uma mensagem de 1964 para hoje

Prof. Paulo Carvalho – Engenharia Elétrica (UFC)

Relembremos uma obra prima do cinema: Dr. Fantástico, filme de 1964 com o título original: Dr. Strangelove or : How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb. O elenco tem à frente o ator britânico Peter Sellers (1925 – 1980), cuja participação neste filme lhe rendeu a indicação para concorrer ao Oscar de melhor ator; atuou em três papéis: o Capitão Lionel Mandrake, o Presidente dos EUA Merkin Muffley e o próprio Dr. Fantástico. Destaque para o personagem título do filme, uma satírica alusão ao engenheiro alemão Wernher von Braun (1912 – 1977), uma das figuras principais no desenvolvimento de foguetes na Alemanha Nazista e que após o fim da II Guerra Mundial se naturalizou cidadão dos EUA. A direção está nas mãos do genial Stanley Kubrick (1928 – 1999), imortalizado por outras joias do cinema como 2001: Uma Odisséia no Espaço e Laranja Mecânica. Continue lendo

Novo foco na formação de doutores?

Em dezembro, a rede inglesa BBC divulgou o artigo intitulado “Make the
most of PhDs” (obtenha o máximo dos doutorandos, nossa tradução:
http://www.nature.com/news/make-the-most-of-phds-1.18915). No artigo, a BBC afirma que o número de pessoas com doutorado está crescendo rapidamente no globo: entre 1995 e 2012 o número de doutores aumentou 22%. Entretanto, afirmam, não haverá empregos acadêmicos para todos. Continue lendo

Bosque de Letras é Fortaleza

Prof. Cláudio Rodrigues – Literatura (UFC)

“Faz escuro, mas eu canto
porque a manhã vai chegar.
Vem ver comigo companheiro,
vai ser lindo, a cor do mundo mudar.
Vale a pena não dormir para esperar,
porque amanhã vai chegar”.
(Thiago de Mello)

grauna 2

Queridas alunas e queridos alunos da UFC. Caros colegas professores da UFC, da UECE e da rede básica de ensino que estiveram conosco hoje. Caríssimos companheiros dos movimentos estudantis e sociais…

Hoje o bosque das letras testemunhou um momento histórico para essa instituição. Cada árvore ali presente, que nos abrigou durante a tarde, deve estar pensando: “poxa, que bonito essa gente jovem reunida, feliz, colorida, purpurinada, confiante! que bonita essa gente jovem atenta, ouvindo professores, líderes de movimentos, homens e mulheres de luta! que bonito ver essa gente jovem abraçando-se, beijando-se, chorando, rindo! Que força temos nós, árvores desse bosque, para que nos queiram celebrar? Que símbolo representamos nós, que há tanto tempo estamos plantadas aqui? Por que somos tão merecedoras dessa manifestação toda?” Continue lendo

Carta aos jovens pretendentes ao magistério superior

Prof. João Bosco Furtado Arruda – Engenheiro Civil e Professor Titular do Departamento de Engenharia de Produção (UFC)

É consenso universal que a profissão de professor, em todos os seus níveis, é por demais nobre por exigir vocação, sacrifício e sabedoria – não só do que se ensina, mas das coisas da Vida – daí suscitar a humildade dos sábios, sempre necessária para iluminar caminhos dos mais jovens (mais ignorantes?) que buscam elevar-se pelo aprendizado. Continue lendo

O retorno do reprimido: questão sindical

Prof. Mário Martins – História (UFC)

Nas minhas aventuras sobre a psicanálise, aprendi com o historiador-psicanalista Peter Gay que o recalque era peça fundamental na formação do inconsciente e que tendia a se manifestar em situações inusitadas, imprevistas. Ele explica que o que foi reprimido pode voltar, por exemplo, tal como voltam os subversivos na calada da noite de um regime ditatorial tentando romper as barreiras do controle com os seus coquetéis molotov.

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